O ovino Santa Inês é um animal desprovido de lã, de elevada estatura, pernas compridas, orelhas longas. As ovelhas pesam entre 50 e 60 kg e os machos ao redor de 100 kg. A sua coloração não é uniforme, encontrando-se animais com pelagens bastante variadas, tais como vermelha, castanha e malhada de branco e de preto. Atualmente, devido a uma preferência puramente estética de parte dos criadores, tem havido maior disseminação da pelagem preta, contudo essa pelagem apresenta o inconveniente de resultar em maior absorção da radiação solar incidente, o que prejudica o equilíbrio térmico dos animais.

As ovelhas Santa Inês possuem características extremamente interesantes como ventres, tais como: maior rusticidade, menores exigências nutricionais, acentuado habilidade materna, além de não aprensentar estacionalidade reprodutiva.

 

Aspectos Reprodutivos

Um dos principais entraves à ovinocultura de corte é a estacionalidade reprodutiva da maioria das raças lanadas de origem européia, que são poliéstricas estacionais, possibilitando o acasalamento somente no verão-outono e parindo no inverno-primavera. Desta maneira a produção de carne de cordeiro, com essas raças, concentra-se em algumas épocas do ano, não permitindo sua produção durante todo o ano. O pequeno número de cordeiros produzido anualmente por ovelha, devido ao grande intervalo entre-partos, também é um aspecto negativo para a atividade, pois aumenta o custo de manutenção das matrizes, encarecendo o preço da carne de cordeiro em sistemas de produção mais intensivos.

A produção contínua de cordeiros durante o ano todo é condição necessária para o sucesso da criação e esta é uma das características mais importantes da raça Santa Inês, que por ser poliéstrica anual, pode ser acasalada em qualquer época do ano, desde que em estado nutricional adequado. As fêmeas Santa Inês mostram ainda possibilidades de, em condições especiais de manejo, apresentarem cios ainda com a cria ao pé, o que diminui acentuadamente o intervalo entre partos, sendo possível intervalos inferiores a oito meses.

Outra característica de extremo interesse é a acentuada habilidade materna das ovelhas, que favorece a sobrevivência peri-natal dos cordeiros, aumentando assim a disponibilidade de animais para abate, bem como para a reposição de matrizes.

 

Comportamento a Pasto

Os ovinos Santa Inês apresentam comportamento muito ativo em pastejo, caminhando com desenvoltura e explorando melhor os locais de alimentação, o que lhes confere maior capacidade de adaptação a ambientes distintos.

Apresentam particularidades comportamentais que os diferem dos lanados europeus, mostrando hábitos de pastejo mais elevado, o que lhes possibilita maior exploração dos recursos alimentares disponíveis. Ovinos deslanados mostram uma maior aceitação de plantas de folha larga que ovinos lanados, desta maneira consomem maior diversidade de plantas, sendo este fato muito importante em pastagens com grande diversidade de espécies.

 

Aspectos Sanitários

A produção ovina em clima tropical úmido utilizando como base animais lanados, de raças de origem européia pode apresentar problemas, devido à sua alta susceptibilidade às parasitoses. A escolha de matrizes de raças lanadas não adaptadas ao clima tropical, com excessiva susceptibilidade à verminose e outros parasitos, leva ao uso extremamente freqüente de vermífugos e outros defensivos. Alguns criadores chegam a vermifugar os animais mensalmente, o que, além de aumentar os custos de produção, leva ao rápido aumento de resistência dos parasitos aos princípios ativos utilizados, podendo tornar a ovinocultura uma atividade não sustentável.

Nas raças lanadas européias há a necessidade de descola (corte da cauda) dos cordeiros recém nascidos. Este prática leva ao aparecimento de problemas de cicatrização, com aparecimento de miíases secundárias e muitas vezes a ocorrência de tétano. A vacinação das matrizes no final da gestação é necessária para prevenir este mal. Em ovinos deslanados não é necessário a descola, eliminando os problemas oriundos desta prática.

Ovinos são susceptíveis a infecção nos cascos denominada pododermite necrótica, sendo os lanados particularmente sensíveis, já os animais Santa Inês tem mostrado menor susceptibilidade a esse tipo de problema. Também, as miíases secundárias são menos incidentes nesta raça.

Animais criados em clima tropical úmidos, particularmente em sistemas intensivos de exploração, são sujeitos às endoparasitoses gastrintestinais. O parasito do gênero Haemonchus é o principal agente causador deste tipo de enfermidade, espoliando o organismo animal através de sua ação hematófaga. Trabalhos em andamento têm mostrando que animais da raça Santa Inês são menos susceptíveis a tal enfermidade, diminuindo muito a necessidade de everminações.

 

Conclusões

A raça Santa Inês pode ser utilizada para produção de cordeiros para abate precoce, em sistemas intensivos de produção, como linhagem materna devido às características já mencionadas de elevada habilidade materna, prolificidade, não-estacionalidade reprodutiva, menor susceptibilidade a endo e ectoparasitoses, adaptação às pastagens tropicais, etc. O menor porte em relação às raças especializadas resulta em menor exigência nutricional, possibilitando maior lotação das pastagens. Isto, aliado à menor ocorrência de problemas sanitários, possibilita a obtenção de menores custos de produção.

O número de cordeiros produzidos anualmente pode ser aumentado com o uso de ovelhas desta raça, pois a intensificação da atividade reprodutiva é plenamente viável. Desta maneira é possível a produção de 2 cordeiros/ovelha/ano (1,5 cordeiro por parição X 1,5 parição por ano X 88% de taxa prenhes).

O desempenho inferior das crias pode ser melhorado com o uso de machos de raças de corte, produzindo cordeiros com maior ganho de peso e melhores características de carcaça.

Esses aspectos tornam a raça Santa Inês uma boa alternativa para a produção intensiva de carne de cordeiros na região Sudeste em um sistema sustentável de produção animal.